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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Setembro - Mês da Bíblia – Cartas Paulinas!!!

Setembro - Mês da Bíblia – Cartas Paulinas!!!



     Caros Irmãos e Irmãs:-

   Chegou-me as mãos uma apostila com um estudo sobre as Cartas Paulinas, que abaixo transcrevo para vocês!!! Creio que seja uma excelente oportunidade para aprendermos mais sobre as Cartas de São Paulo Apóstolo durante este mês de Setembro, que é o Mês da Bíblia!!!

Alexandre Luiz Antonio da Luz
Ex-Presidente da Sociedade Protetora dos Nascituros Imaculada Conceição de Maria
Movimento Pró-Vida da Arquidiocese de Curitiba



Cartas Paulinas:-




Introdução às Cartas de São Paulo Apóstolo:-

   O conjunto das Cartas Paulinas compreende um total de treze cartas que reivindicam a paternidade de São Paulo Apóstolo. A ordem em que se encontram no cânon bíblico não reflete a data em que foram escritas, mas foram organizadas segundo a sua extensão.
   Alguns procuram agrupa-las do seguinte modo:-

1º) Cartas Maiores:- Romanos, 1 e 2 Coríntios, Hebreus, Gálatas e 1 e 2 Tessalonicenses.

2º) Cartas da Prisão:- Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemon.

3º) Cartas Pastorais:- 1 e 2 Timóteo e Tito.

   Outra classificação pode ser feita a partir da possível autoria das mesmas:-

1º) Cartas Proto-Paulinas:- São aquelas que seguramente são autênticas, isto é, que certamente são de autoria do Apóstolo São Paulo, e que são aceitas por todos os estudiosos:- Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Filipenses, 1 Tessalonicenses e Filemon.

2º) Cartas Deutero-Paulinas:- São aquelas cuja autenticidade não é segura ou é negada por certo número de estudiosos:- Efésios, Colossenses e 2 Tessalonicenses.

3º) Cartas Trito-Paulinas:- São aquelas que dificilmente seriam de São Paulo Apóstolo, pois usam uma linguagem diversa e tratam de problemas que existiam nas comunidades no final do Século I. São elas:- 1 e 2 Timóteo, Tito e Hebreus.

   É certo que algumas Cartas Paulinas foram perdidas. Em 1 Coríntios 5,9 já se fala de uma Primeira Cartas aos Coríntios. Em Colossenses 4,16, São Paulo se refere a uma carta escrita aos cristãos de Laodicéia. E temos ainda a famosa “Carta em Lágrimas” aos Coríntios (2 Coríntios 2,4). Alguns estudiosos afirmam também  que a Carta aos Filipenses é um conjunto de vários bilhetes. E também que a 2 Coríntios é um ajuntamento de várias cartas, enviadas em datas diferentes.
   Outro aspecto interessante é o de que as cartas não foram escritas de próprio punho pelo Apóstolo. Ele as ditava (confiram Romanos 16,22) a às vezes as assinava (confiram Gálatas 6,11). Talvez a Carta a Filemon tenha sido o único escrito feito pela sua própria mão.
   Uma constante nas Cartas de São Paulo Apóstolo é a afirmação que Ele faz da sua própria vocação. Por várias vezes lembra que seu ser Apóstolo de JESUS CRISTO é sinal primordial da intervenção Divina na sua vida. À missão de evangelizar os gentios Ele se dedica por inteiro e busca formas novas, através das cartas, de se fazer presente junto às comunidades fundadas por Ele como missionário itinerante. Escrever era a forma de manter viva a fé das comunidades, porque São Paulo não podia estar em todas elas ao mesmo tempo. Isso tudo para que o Evangelho seja anunciado.
   O núcleo da mensagem de São Paulo Apóstolo em todas as suas cartas é o Kerigma Cristão, ou seja, o anúncio da paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor JESUS CRISTO. Toda a teologia paulina é gerada a partir do evento da Cruz, sinal de escândalo, portanto, de fraqueza, transformado em princípio de salvação e ressurreição. Portanto, para compreender São Paulo Apóstolo é importantíssimo considerarmos a Crucificação de Nosso Senhor JESUS CRISTO, Sua Paixão, Morte e Ressurreição.
   São Paulo Apóstolo é um escritor que anuncia o Evangelho, ou melhor, é um missionário que escreve. Ele é poeta e culto, mas, para fazer-se compreender, usa palavras simples e profundas. Todas as suas cartas são portanto, como que geradas do seu coração. E assim São Paulo Apóstolo deixa transparecer em cada palavra que escreve sua paixão por Nosso Senhor JESUS CRISTO e pelo Seu Povo (a Igreja).    

Breve Comentário das Cartas Paulinas:-

1º) Cartas Proto-Paulinas:-




a) Romanos:-

   Quando São Paulo esteve em Roma?
   Provavelmente entre o ano 61 e 62, prisioneiro e deportado para o tribunal do imperador, onde foi martirizado por volta do ano 67.



   Onde foi escrita a Carta aos Romanos?
   Em Corinto (inverno de 55/56).




   Como era a comunidade?
   Formada por cristãos vindos da Palestina e da Síria, provavelmente expulsos pelo imperador Cláudio, no ano 49.



   Qual a finalidade da Carta?
   Corrigir certas interpretações a respeito da pregação de São Paulo entre os pagãos, provavelmente levadas à Roma por judeus e por cristãos judaizantes. O Apóstolo expõe de maneira serena e organizada o que já havia exposto na Carta aos Gálatas, ou seja, a gratuidade da salvação que vem pela fé. Ele opõe o CRISTO Justiça de DEUS ao CRISTO da justiça que os homens pretendiam merecer por seus próprios esforços. São Paulo diz que a morte e ressurreição de JESUS operaram a destruição da humanidade antiga, viciada pelo pecado de Adão e a recriação de uma humanidade nova, da qual Nosso Senhor JESUS CRISTO é o protótipo.



b) 1 Coríntios:-

   Quando São Paulo esteve em Corinto?
   São Paulo chega à Corinto em Abril do ano 50, após ter passado por Atenas e lá volta outras vezes.

   Onde foi escrita a Primeira Carta aos Coríntios?
   Provavelmente na Páscoa de 54, em Éfeso ou na Macedônia.



   Como era a comunidade?
   Corinto era uma cidade portuária e grande centro comercial, com população pluralista e composta por cidadãos romanos e escravos. Tinha tendências e religiões romanas, egípcias e gregas. A comunidade foi fundada na casa de Priscila e Áquila, artesãos de couro, com os quais São Paulo deve ter trabalhado. Na comunidade havia várias classes sociais, a maioria era gente pobre, sobretudo escravos. Por isso, a comunidade era predisposta à divisão, sobretudo pela diversidade cultural e econômica, o que causava muita competição.

   Qual a finalidade da Carta?
   Trata de problemas vividos pela comunidade, informações e decisões cruciais para o cristianismo primitivo, tanto em sua vida interior (pureza dos costumes, matrimônio e virgindade, ordem das assembléias e celebração eucarística, uso dos carismas), como também o relacionamento com o mundo pagão (apelo aos tribunais, carnes oferecidas aos ídolos, etc.). Lembra em que consiste a verdadeira liberdade da vida cristã, a santificação do corpo, a diversidade dos carismas, o primado da Caridade (que é o sustentáculo da comunidade) e a união à CRISTO.



c) 2 Coríntios:-
   


   Onde foi escrita a Segunda Carta aos Coríntios?
   Em Éfeso, por volta do ano 55.



   Qual a finalidade da Carta?
   São Paulo defende o seu apostolado, diante daqueles que queriam afastá-lo da comunidade, alegando que ele não era apóstolo e, portanto, que sua mensagem não merecia a consideração dos coríntios. Poe essa razão, São Paulo descreve a grandeza do ministério apostólico e também discorre sobre o tema concreto da coleta para a Igreja de Jerusalém, inspirado pelo ideal de união entre as igrejas.



d) Gálatas:-
   


   Quando São Paulo esteve na Galácia?
   São Paulo esteve na Galácia em sua primeira viagem missionária (por volta dos anos 46 a 48), na segunda viagem, na primavera do ano 52 e talvez outras duas vezes.



   Onde foi escrita a Carta aos Gálatas?
   Em Éfeso ou na Macedônia entre os anos 54 e 55.



   Como era a comunidade?
   A Galácia era uma região da Ásia Menor e esta comunidade auxiliou São Paulo quando estava enfermo. Por isso, São Paulo tinha pelos Gálatas um grande afeto, se sentindo o pai e a mãe daquela comunidade. Mas, correntes judaizantes quiseram ridicularizar e se posicionar contra a pregação de São Paulo também na comunidade da Galácia.



   Qual a finalidade da Carta?
   Gálatas representa um grito por parte de São Paulo, no qual a apologia pessoal se justapõe à argumentação doutrinal a às advertências que ela faz à comunidade. São Paulo demonstra indignação e defende seu apostolado. É uma argumentação vibrante em Prol da liberdade Cristã e a universalidade da Igreja. A Carta aos Gálatas é muitas vezes citada na Carta aos Romanos.



e) Filipenses:-
   
   Quando São Paulo esteve em Filipos?
   São Paulo chega a Filipos durante a sua segunda viagem, entre os anos de 48 e 49 e lá retorna duas vezes na sua terceira viagem. Ao chegar à cidade, ele não vai à sinagoga, como era o seu costume, mas fala às mulheres que estavam às margens do rio rezando.

   Onde foi escrita a Carta aos Filipenses?
   Quando São Paulo estava preso em Éfeso (anos 55/57) ou em Roma (anos 61/62).



   Como era a comunidade?
   Filipos era um importante centro comercial entre o Oriente e o Ocidente, até ser conquistada por Roma em 42 AC. Uma cidade onde viviam muitos oficiais romanos, de religiões derivadas dos cultos egípcios (como  a deusa Ísis) e dos cultos romanos (deuses Júpiter, Mercúrio, Minerva e Diana). A comunidade é fundada na casa de Lídia, que ao escutar a pregação de São Paulo convida-o e aos seus companheiros a se hospedarem na casa dela, se eles a consideram digna da mensagem que acabaram de anunciar.

   Qual a finalidade da Carta?
   A comunidade de Filipos é considerada a comunidade amada por São Paulo, é a única comunidade da qual ele aceita receber algum auxílio também material. Por isso, ele escreve para agradecer a ajuda enviada pela comunidade enquanto ele estava preso. Aproveita para advertir contra algumas situações de competição existentes na comunidade e previne contra pregadores judaizantes ao relembrar que a autenticidade do Evangelho vivido e anunciado pelos cristãos está na Cruz de CRISTO.



f) 1 Tessalonicenses:-

   Quando São Paulo esteve em Tessalônica?
   A Tessalônica foi evangelizada na segunda viagem de São Paulo, do outono do ano de 49 à primavera do ano de 50. de lá, ele saiu fugido para Atenas e Corinto. O Apóstolo deve também ter retornado a esta comunidade no verão do ano de 54 e na primavera do ano de 55, após os dissabores de Corinto e Éfeso.



   Onde foi escrita a Carta aos Tessalonicenses?
   Em Corinto, durante o verão do ano de 51.



   Como era a comunidade?
   Tessalônica era um importantíssimo ponto comercial, pois além de estar na rota da Via Ignatia (Via Inácia), tinha um ótimo porto aberto para o Mar Egeu. Supõe-se que os membros da comunidade fossem todos provenientes de escravos e da classe de pequenos comerciantes, que mal tinham com o que viver. O próprio ambiente de trabalho freqüentado por São Paulo pode ter sido tão pobre quanto o do trabalho escravo. Do ponto de vista da religião, havia as divindades romanas e locais.



   Qual a finalidade da Carta?
   Dar instruções sobre a Parusia (a volta de Nosso Senhor JESUS CRISTO) e enviar boas noticias aos tessalonicenses. É considerada uma carta escatológica, onde São Paulo adverte à comunidade a ter calma em relação a Parusia e ao mesmo tempo ser vigilante. Nesta etapa primitiva do seu apostolado, São Paulo encontra-se todo concentrado na Ressurreição de Nosso Senhor JESUS CRISTO e na sua vinda na glória, que trará a Salvação aos que tiverem acreditado Nele.
   A Primeira Carta aos Tessalonicenses deixa entrever que a comunidade de Tessalônica era uma igreja jovem e fervorosa, firme no meio dos sofrimentos. Ela nos diz algo sobre a crença dos cristãos uns vinte anos após a Ascensão do Senhor:- A Trindade, DEUS como Pai, a missão de JESUS Messias, Sua Morte, ressurreição e futuro retorno e as três virtudes (Fé, Esperança e Caridade).



g) Filemon:-

   Quem era Filemon?
   Filemon era um cristão de Colossos, de boa reputação, provavelmente convertido por São Paulo e que tinha um escravo fugido:- Onésimo, cujo nome significa “honestíssimo”.



   Onde foi escrita a Carta a Filemon?
   Na prisão em Roma entre os anos de 61 e 63.



   Qual a finalidade da Carta?
   Expressa o dilema entre o Evangelho levado às últimas conseqüências, de não se tornar somente uma lei, nem insensível aos dilemas humanos. São Paulo acredita que o Evangelho pode mudar as relações entre as pessoas, por isso, escreve a Filemon para aceitar novamente Onésimo, que ele havia encontrado na prisão e que, provavelmente havia pedido a intervenção do Apóstolo para que fosse perdoado pelo patrão. São Paulo então, pede a Filemon que aceite Onésimo não mais como escravo, mas como irmão em JESUS CRISTO.  


2º) Cartas Deutero-Paulinas:- Os erros combatidos são posteriores a São Paulo e pertencem mais às idéias gnósticas do século II.



a) Colossenses:-
   
   Quando São Paulo esteve em Colossos?
   A comunidade de Colossos foi fundada por volta do ano 53, por um nativo que São Paulo havia batizado e evangelizado em Éfeso.



   Onde foi escrita a Carta aos Colossos?
   Na prisão em Roma entre os anos de 61 e 63.



   Como era a comunidade?
   Composta da miscigenação de cultos misteriosos com ritos e veneração à divindades gregas, assim era, com relação a religião, o povo de Colossos. A comunidade cristã de Colossos durou apenas sete anos, pois no ano 60, antes da morte de São Paulo, a cidade de Colossos foi atingida por um grande terremoto e desapareceu.



   Qual a finalidade da Carta?
   Carta Cristológica. O principal problema da comunidade foi um erro de interpretação causado pelo sincretismo religioso. Procuravam experiências exóticas e fortes e a presença de vários mestres. O autor desenvolve a centralidade de JESUS CRISTO, cabeça da Igreja. Ele incorpora pessoas à Sua morte e ressurreição.



b) Efésios:-

   Quando São Paulo esteve em Éfeso?
   Depois de passar pelas comunidades da Galácia, chegou a Éfeso no ano de 52. foi preso no verão de 54 e retornou em 55.



   Onde foi escrita a Carta aos Efésios?
   Na prisão em Roma entre os anos de 61 e 63.



   Como era a comunidade?
   A comunidade situava-se numa cidade portuária, com muitos edifícios, entre os quais se destacava o templo da deusa grega Ártemis. A comunidade de Éfeso já existia antes da chegada de São Paulo. Era uma florescente comunidade cristã de pagãos convertidos.



   Qual a finalidade da Carta?
   Carta Cristológica. DEUS revela Seu plano por JESUS CRISTO, desenvolvido na Igreja, que é o povo de DEUS e esposa do Messias e já não espera a Parusia, mas se empenha no constante crescimento.



c) 2 Tessalonicenses:-

   Onde foi escrita a Segunda Carta aos Tessalonicenses?
   Em Corinto. Como a Segunda Carta aos Tessalonicenses foi escrita alguns meses depois da primeira, provavelmente foi escrita durante o outono do ano de 51, ou o inverno de 51/52.

   Qual a finalidade da Carta?
   Esta carta apresenta, juntamente com outras exortações práticas, novas instruções sobre a data da Parusia e os sinais que a devem preceder. A Segunda Carta aos Tessalonicenses contém notáveis semelhanças literárias com a primeira, a tal ponto que certos críticos a tomaram como obra de um falsário, que teria se inspirado em São Paulo, imitando o seu estilo, daí ser inclusa entre as Deutero-Paulinas. Mas não há meio de se descobrir qual teria sido o motivo de tal falsificação e é mais simples pensar que o próprio Apóstolo, querendo precisar e ajustar seu ensinamento escatológico, teria escrito esta segunda carta, retomando expressões da primeira. Dentre as cartas Deutero-Paulinas, esta é aquela cuja autenticidade é mais bem aceita, pois os dois escritos (Primeira e Segunda Carta aos Tessalonicenses) não se contradizem, mas, pelo contrário, se completam. A sua autenticidade é igualmente bem atestada pela tradição da Igreja.


3º) Cartas Trito-Paulinas:-





a) 1 e 2 Timóteo e Tito:-




   Quem eram Timóteo e Tito?
   Eram os dois mais fiéis discípulos de São Paulo. Timóteo era filho de uma mulher judia e de um pai grego que abraçaram a Fé em Nosso Senhor JESUS CRISTO (confiram Atos 16,1) e que deu um belo testemunho de fé perante várias testemunhas (confiram 1 Timóteo 6,12). Tito era um cristão de origem pagã, talvez convertido por São Paulo; que o acompanhou em sua segunda viagem a Jerusalém (confiram Gálatas 2,1). Foi encarregado por São Paulo de ira Corinto para apaziguar a situação e consegui-o plenamente (confiram 2 Coríntios 7,5-7). Depois o Apóstolo o reenviaria a esta cidade para organizar a coleta em favor da Igreja de Jerusalém. Nos anos de 63 e 64 estava em Creta, à frente das comunidades que São Paulo tinha fundado nessa ilha ao sair do primeiro cativeiro romano. Por ocasião do segundo cativeiro em Roma, durante os anos de 66 e 67, Tito estava na Dalmácia. Ele foi para São Paulo um excelente colaborador, hábil de caráter firme e bem constituído.



   Onde foram escritas as Cartas a Timóteo e a Tito?
   Duas delas (1 Timóteo e Tito) parecem ter sido escritas quando São Paulo estava na Macedônia. A Segunda Carta a Timóteo foi escrita quando o Apóstolo estava preso em Roma.



   Qual a finalidade destas Cartas?
   O objetivo das cartas a Timóteo e a Tito são dar diretrizes para a organização e direção das comunidades cristãs a eles confiadas por São Paulo. É por isso, que desde o século XVIII, se costuma chama-las de “pastorais”. Longe de supor, como se tem pretendido, uma evolução da hierarquia eclesiástica que seria posterior ao tempo de São Paulo, elas refletem, ao contrário, uma etapa que é perfeitamente verossímil na época do fim de sua vida. O título de “epíscopo” aparece ainda como praticamente sinônimo de “presbítero”, como outrora, segundo a fórmula primitiva das comunidades dirigidas por colégios de anciãos. Não existe ainda vestígio algum do “bispo” monárquico tal como aparecerá com Santo Inácio de Antioquia. No entanto esta evolução está se preparando:- Embora encarregados de diversas comunidades sem estarem ligados a nenhuma em particular, os delegados de São Paulo, que são Timóteo e Tito, representam esta autoridade apostólica que está em vias de se transmitir para suprir o próximo desaparecimento dos Apóstolos e que em breve se fixará em cada comunidade num chefe de colégio presbiteral, que será o bispo. Embora as cartas a Timóteo e a Tito tenham sido classificadas entre as Trito-Paulinas, esta etapa intermediária da organização da Igreja, que elas descrevem e que nenhum falsário tinha interesse em inventar, é um precioso indício de autenticidade. Também se notará que os epíscopos-presbíteros não são apenas administradores do temporal, mas ainda e sobretudo tem o ofício de ensinar e de governar, são realmente os antepassados dos nossos bispos e dos nossos sacerdotes. As insistentes recomendações de conservar a “Sã Doutrina”, de guardar o “Depósito da Fé”, na opinião de certos críticos, seriam indignas de São Paulo (daí serem colocadas entre as cartas Trito-Paulinas), tão audaz e tão original em suas explanações teológicas, mas elas se explicam na boca do próprio Apóstolo que se sente próximo do fim e coloca seus jovens colaboradores de sobreaviso contra as especulações perigosas. Ele constata, nas comunidades, com efeito, um gosto imoderado por inovações que conduzem ao naufrágio da fé. E não se trata de doutrinas gnósticas do século II, que um falsário quereria combater acobertando-se com seu nome. Estas “controvérsias”, estes “vãos problemas”, estas “fábulas e genealogias sem fim”, estas “fábulas judaicas”, estes “debates sobre a Lei”, às quais prescrições de um ascetismo rígido, são, sem dúvida, produtos daquele judaísmo helenizado e sincretista que São Paulo já tivera de enfrentar na crise de Colossos.






b) Hebreus:-

   Quando São Paulo esteve na Judéia?
   São Paulo estava em Jerusalém quando da execução e martírio de Santo Estevão, no ano de 34. Depois de sua conversão, por volta do ano 36, volta a Jerusalém para visitar os apóstolos. Por volta do ano de 48, São Paulo e São Barnabé vão à Judéia para o Concílio de Jerusalém, que isentou os cristãos vindos do paganismo da obrigação da circuncisão e também para levar o auxílio da comunidade de Antioquia à de Jerusalém. Por volta do ano de 58, São Paulo volta à Judéia, onde será preso na Cesárea e aguardará até o não 60 para ser enviado a Roma, para ser julgado pelo imperador romano.



   Onde foi escrita a Carta aos Hebreus?
   O lugar e a data da composição da Carta aos Hebreus não são certos. Parece que o autor está na Itália, talvez no ano de 67.



   Como era a comunidade?
   Era a primeira comunidade da Igreja, formada pelos cristãos vindos do judaísmo.



   Qual a finalidade da Carta?
   Dentre todas as cartas paulinas, principalmente as Trito-Paulinas, a Carta aos Hebreus é aquela cuja autenticidade é mais contestada pelos exegetas! Esta carta teve a sua autenticidade posta em dúvida desde a antiguidade. Raramente se contestou a sua canonicidade, mas a Igreja do Ocidente, até o século IV, se recusou a atribuí-la a São Paulo; e se a Igreja do Oriente aceitou esta atribuição, não foi sem fazer às vezes certas reservas no tocante à sua forma literária (Clemente de Alexandria e Orígenes). É que, com efeito, a linguagem e o estilo desde escrito são de uma pureza elegante, que não pertencem a São Paulo. A maneira de citar e de utilizar o Antigo Testamento não é a sua. Faltam aí o endereço e o preâmbulo, com os quais ele costuma iniciar as suas cartas. Quanto à doutrina, se ela possui ressonâncias incontestavelmente paulinas, apresenta, por outro lado, bastante originalidade para que dificilmente lhe possa ser atribuída a autenticidade de maneira imediata. De fato, muitos críticos católicos e não-católicos concordam em reconhecer que São Paulo não poderia ser o autor desta carta do mesmo modo que as outras, embora sua influência se tenha exercido sobre ela, por inspiração indireta ou mesmo direta, de modo suficiente para legitimar sua tradicional incorporação à coleção das cartas paulinas. Mas o acordo cessa quando se trata de identificar o autor anônimo. Nomes de toda a espécie foram propostos, tais como Barnabé, Silas, Aristião e outros. O que mais merece reter a atenção é sem dúvida Apolo, aquele judeu alexandrino elogiado por São Lucas Evangelista por sua eloqüência, zelo apostólico e conhecimento das Escrituras. Essas qualidades, realmente, se refletem de modo notável na Carta aos Hebreus, com sua linguagem e seus pensamentos provenientes da cultura Alexandrina (filoniana), sua apologética de belo vigor oratório, sua argumentação, enfim, fundada inteiramente sobre a interpretação do Antigo Testamento.
   O objetivo desta Carta é animar os cristãos vindos do judaísmo. Estes judeus depois de ser converterem ao cristianismo, devido às perseguições, tiveram que deixar a Terra Santa e este exílio lhes foi pesado. Com muita nostalgia se recordavam dos esplendores do culto levitico, do qual eles eram outrora ministros; e desiludidos com a sua nova fé ainda um pouco firme e mal esclarecida, confundidos também pelas perseguições que ela lhes causa, são tentados a voltar atrás. É para precavê-los contra tal apostasia que se destina a Carta aos Hebreus. Ela responde ao seu desânimo de exilados, oferecendo magníficas perspectivas sobre a vida cristã, concebida como uma peregrinação, uma entrada para o repouso prometido, uma caminhada para a Pátria Celestial, tendo o CRISTO como guia, superior a Moisés, tendo como luz aquela fé-esperança que já havia guiado os patriarcas de sua raça, os judeus do Êxodo e todos os santos do Antigo Testamento. À sua nostalgia do antigo sacerdócio e do culto levítico, ela contrapõe a pessoa de JESUS CRISTO Sacerdote segundo a ordem de Melquisedec, superior a Aarão e seu sacrifício oferecido uma só vez, único sacrifício válido, que substitui todas as oferendas ineficazes da antiga Aliança. E fundamentando tudo isso, ela prova a dignidade soberana deste Chefe e deste Sacerdote:- JESUS CRISTO, o Filho de DEUS Encarnado, Rei do Universo e superior mesmo aos Anjos.



   Quem gostar deste estudo bíblico sobre as Cartas Paulinas, por favor, alem de Curtir, compartilhe e/ou retuite!!!







quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Os Exemplos da Virgem Maria Nossa Senhora, a Primeira Discípula, para o Mês Vocacional!!!

Os Exemplos da Virgem Maria Nossa Senhora, a Primeira Discípula, para o Mês Vocacional!!!



     Caros Irmãos e Irmãs:-


   O mês de Agosto é muito rico para a Igreja, porque refletimos sobre as vocações. Neste ano de 2017, em que a Igreja, aqui no Brasil, está vivenciando o Ano Mariano (100 anos das Aparições de Nossa Senhora em Fátima e 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida), o chamado “Mês Vocacional” está focando no exemplo de Nossa Senhora. Com o tema “A exemplo de Maria, discípulos missionários” e com o lema “Eis-me aqui, faça-se”, queremos olhar para a Virgem Maria como aquela que acreditou e colocou-se totalmente nas Mãos de DEUS para que, Nela se operasse a Vontade Divina. Peçamos para que, por Sua intercessão, DEUS ilumine o nosso discernimento vocacional.



   A Virgem Maria soube escutar, no silêncio do Seu Imaculado Coração, o chamado de DEUS. O agir de DEUS é sempre misterioso, vale-se das pessoas simples para realizar os seus planos. Todo o povo de Israel esperava o Messias, e certamente muitas mulheres gostariam de ser Sua mãe e não deve ter faltado quem pensasse que a escolhida seria uma mulher da nobreza, mas DEUS, misteriosamente, escolhe uma jovem desconhecida de uma cidade e região sem importância.



   A Virgem de Nazaré, perante o mistério que lhe foi proposto, não titubeou, mas respondeu com o Seu Coração:- “Eis aqui a Serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). O Sim da Virgem Maria leva-nos a refletir sobre a bondade de DEUS, que chama todo ser humano para segui-Lo. Como todo o chamado pede uma resposta, DEUS deixa-nos livres para darmos nosso sim ou não à tarefa que ELE nos confia (o chamado “Livre Arbítrio”).



   Assim, chamado – resposta – e missão, é um conjunto inseparável no projeto de DEUS. Com a Virgem Maria não foi diferente. Diante do Anúncio do Anjo, Ela deu o Seu Sim humilde e alegre. Durante a Vida e Missão do Seu Divino Filho, Seu Sim se deu no desempenho de Sua Missão como Mãe do Salvador, estando sempre ao lado de JESUS; aos pés da Cruz, dá o Seu Sim na dor, um sinal fiel, dado com amor generoso. Depois da Ascensão Gloriosa e Admirável de Nosso Senhor JESUS CRISTO aos Céus, a Virgem Maria se fez presente também junto dos discípulos, confortando-os e animando-os para não desistirem da Missão deixada pelo Seu Divino Filho. Tudo isso significa que Ela foi o modelo dos vocacionados, porque recebeu um anúncio, um convite, aceitou-o e deixou-se conduzir pelo ESPÍRITO SANTO, para que as palavras de São Gabriel Arcanjo se tornassem uma realidade vivida.



   Assim percebemos que a Virgem Maria foi, é e continua sendo um belíssimo exemplo para todos os vocacionados:- É modelo para a família, pois foi uma excelentíssima mãe e esposa; é modelo para a vida consagrada, porque entregou Sua própria vida a DEUS, sem reservas; é modelo para os ministros ordenados, pois ofereceu a si mesma com Serva do Senhor em favor da humanidade; é modelo para os leigos, já que Ela levou o Amor de Nosso Senhor JESUS CRISTO a outras pessoas.



   Também nós recebemos um chamado. Cada um de nós, em seu estado de vida, precisa dar continuidade às suas promessas batismais, precisa ser os “Pés”, as “Mãos” e o “Coração” de DEUS nesse mundo frio e egoísta. Estamos sempre cobrando das autoridades e do governo por melhores condições de vida, segurança, saúde, educação, transporte urbano, etc.... Mas podemos ser, nós mesmos, um sinal de esperança na vida dos que nos cercam, se formos católicos que abraçam a sua vocação com seriedade, praticantes da caridade sincera e escondida, amantes da verdade e do direito, pessoas que agregam e não dividem, que não diminuem e humilham o próximo, pessoas que imitam a Nossa Mãe Santíssima, a Virgem Maria. Que Ela interceda por nós para que sejamos dignos de testemunhar o amor de DEUS revelado no Sagrado Coração de JESUS.



   Que todos nós vocacionados empunhemos com coragem e vigor as “Bandeiras da Fé, da Esperança e da Caridade” para bem trabalharmos na Messe do Senhor!!!



Oração a Nossa Senhora da Assunção!!!

   Ó Dulcíssima Soberana, Rainha dos Anjos e Santos, bem sabemos que, miseráveis pecadores, não éramos dignos de Vos possuir neste vale de lágrimas, mas sabemos que a Vossa Grandeza não Vos faz esquecer das nossas misérias e, no meio de tanta Glória, a Vossa Compaixão e Amor Maternal, longe de diminuírem, aumentam cada vez mais para conosco.
   Do alto desse Vosso Trono em que reinais sobre todos os Anjos e Santos, volvei para nós os Vossos olhos misericordiosos; vede a quantas tempestades e mil perigos estaremos, sem cessar, expostos a te o fim de nossa vida.
   Pelos merecimentos de Vossa bendita e gloriosa Assunção, obtende-nos de DEUS o aumento e crescimento na fé, na esperança, na caridade, na confiança Nele e na santa perseverança na amizade com ELE, para que possamos, um dia, ir beijar os Vossos Pés e unir nossas vozes à dos espíritos celestes, para louvar e cantar as Vossas Glórias eternamente no Céu. Assim Seja!!! Amém!!!



Alexandre Luiz Antonio da Luz
Ex-Presidente da Sociedade Protetora dos Nascituros Imaculada Conceição de Maria
Movimento Pró-Vida da Arquidiocese de Curitiba